Está claro que hoje os pais estão mais interessados em criar seus filhos do que educá-los. Para criá-los basta dinheiro, para educá-los precisa-se de tempo, produto escasso hoje em dia. As escolas vieram ocupar o lugar deixado pelos pais na educação de seus rebentos. Antes, à escola cabia passar as noções mais ou menos básicas do mundo das letras e da ciência, e aos pais a de educar, formar nos costumes, nas regras sociais, legar as tradições familiares – para essa tarefa o autoritarismo paterno. De qualquer forma, era da família o papel de preparar os filhos para o convívio social. Quem prepara para o convívio social, hoje, é a escola e, isto ela faz a contento. Aos pais cabe o papel de financiador dessa instituição. O retorno que se espera da parte de quem financia é que os filhos, com o instrumental que lhes é fornecido desde aproximadamente dois anos de idade, ocupem seu lugar no mundo do mercado de trabalho e do consumo, obtenham reconhecimento social e profissional. Atingido tal objetivo, a educação foi um sucesso. Razão do insucesso da escola pública fundamental e média, que teria perdido tal capacidade. Tendo que o objetivo maior daquela educação é o mercado de trabalho e o consumo, essa educação vai ganhando caracteres cada vez mais técnicos, e tudo mais que forma a psique humana fica relegado em um segundo plano. Ou, alguém acredita que os pais mandem seus filhos para escola por que lá terão uma formação humanista e voltada para uma consciência sócio-ambiental não consumista. Aqui reside a dificuldade crescente de lidar com essas crianças e adolescentes, estão cada vez mais técnicos e pragmáticos.
A infância como tempo do lúdico vai cedendo espaço para uma infância esvaziada de sentido. Esvaziada de sentido porque voltada para interesses estranhos ao universo infantil. Todo um roteiro de atividades é programado pela escola para que as crianças se estimulem, numa relação de adestramento que objetiva obter das crianças, respostas no longo prazo que atendam as necessidades dessa sociedade neurótica e consumista. Temos uma sociedade voltada para o trabalho e para o consumo, e a formação das crianças e jovens visa principalmente, possibilitá-los entrar de forma vantajosa nesse universo social, posto que essa aquisição é um valor. Essa situação cria um divórcio entre as necessidades cognitivas das crianças e sua infância. O que antes era adquirido pela criança nos seus processos naturais de desenvolvimento, em suas brincadeiras, agora é vivido na clausura dos programas e roteiros escolares. Garantir o sucesso dos filhos, no futuro, se tornou mais importante que todo o processo e experiências positivas, negativas e aprendizados próprios da infância e que só a liberdade da vivência pessoal pode legar. Nossas crianças estão cheias de programas ensinados e, vazias de si mesmas, o que explica o número cada vez maior de crianças com depressão, ...crianças com depressão! Com o passar dos anos, tomarão os remédios da alegria, depois do descanso, mais tarde os antidepressivos e, quem sabe os viagras.
LUCIANO ALVARENGA
Professor de História Econômica no Dom Bosco e Sociologia na Unilago e Intelectus
Lucalvarenga@yahoo.com.br
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário